Começar a pedalar pode parecer um desafio para quem está há muito tempo sem praticar atividade física, sente dificuldade em enfrentar subidas ou acredita que não tem condicionamento suficiente para acompanhar um passeio de bicicleta. Nesse cenário, as e-bikes vêm ganhando espaço como uma alternativa para tornar os primeiros pedais mais acessíveis. Com assistência elétrica que funciona enquanto o ciclista pedala, esses modelos ajudam a reduzir o esforço necessário em determinados trechos, sem eliminar a participação física de quem está sobre a bicicleta.
O interesse pela categoria também aparece nos números da indústria. Segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), 61.885 bicicletas elétricas foram produzidas no Polo Industrial de Manaus entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 85,7% em relação ao mesmo período de 2025. Com 22,8% da produção total, as elétricas se consolidaram como a segunda categoria mais fabricada no polo, atrás apenas das mountain bikes.
“Para muita gente, o maior desafio não é gostar de bicicleta, mas dar o primeiro passo. Existe o receio de não conseguir subir uma ladeira, de ficar muito cansado ou de não acompanhar outras pessoas. A assistência elétrica ajuda a diminuir algumas dessas barreiras e permite que o ciclista descubra o prazer de pedalar respeitando o próprio ritmo”, afirma David Peterle, CEO da Oggi Bikes.
Pedalar com assistência elétrica também é atividade física?
Diferentemente de um veículo que se movimenta apenas pelo acionamento de um acelerador, a bicicleta elétrica com assistência ao pedal exige que o ciclista continue pedalando para receber o auxílio do motor. Isso significa que o esforço não desaparece, mas pode ser ajustado conforme as características do percurso e o nível de assistência selecionado.
Uma revisão sistemática publicada em 2026 no Journal of Physical Activity and Health, que reuniu 31 estudos com 11.890 participantes, identificou que o uso de e-bikes geralmente exige menos esforço fisiológico do que o ciclismo convencional, mas frequentemente ainda alcança intensidade moderada. Os resultados também sugerem que esses modelos podem favorecer a participação de pessoas menos ativas e contribuir para aumentar a atividade física diária.
Na prática, essa possibilidade pode ser interessante para quem está retomando uma rotina de exercícios, pessoas com menor condicionamento físico ou ciclistas que desejam enfrentar trajetos mais longos sem precisar realizar todo o esforço de uma bicicleta convencional. Para quem apresenta limitações físicas ou dificuldades de mobilidade, porém, é importante avaliar individualmente se o ciclismo é adequado e seguro.
“Uma das vantagens da e-bike é permitir que pessoas com diferentes níveis de condicionamento compartilhem um passeio. Quem precisa de mais assistência pode utilizá-la em uma subida, enquanto alguém mais experiente pode optar por um nível menor. Isso amplia as possibilidades de participação sem exigir que todos tenham o mesmo preparo físico”, explica Peterle.
O primeiro pedal não precisa ser o mais longo
Mesmo com assistência elétrica, começar por trajetos conhecidos, com pouco movimento e dificuldade compatível com a experiência do ciclista continua sendo importante. Antes de sair, vale conhecer os comandos da bicicleta, testar os diferentes níveis de assistência, conferir freios e pneus e planejar a autonomia necessária para o percurso.
A escolha do modelo também faz diferença nessa experiência. Para quem está começando, é importante considerar o tipo de trajeto, o tamanho do quadro e as características da bicicleta. Na linha da Oggi Bikes, a Big Wheel 8.0 é uma alternativa para quem deseja iniciar no ciclismo com assistência elétrica, permitindo explorar novos percursos com o auxílio do motor.
A evolução pode acontecer gradualmente, conforme a pessoa ganha confiança e familiaridade com o equipamento. O objetivo não precisa ser percorrer grandes distâncias logo nas primeiras saídas, mas construir uma experiência que possa ser repetida. “A e-bike não precisa ser vista como uma bicicleta apenas para quem não consegue pedalar uma convencional. Ela é uma possibilidade a mais para diferentes perfis de ciclistas. Para alguns, pode ser a primeira experiência com o ciclismo; para outros, uma maneira de continuar pedalando em situações nas quais o esforço se tornou uma barreira. O mais importante é que mais pessoas encontrem espaço para a bicicleta em suas vidas”, conclui Peterle.