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95% dos acidentes de moto graves atendidos pelo Hospital das Clínicas ocorreram em vias sem fiscalização eletrônica
Por Administrador
Publicado em 25/05/2026 12:09
O Trânsito nosso de todo dia
Reprodução Freepik

Um estudo inédito focado na segurança viária de motociclistas apresenta o planejamento urbano da capital paulista. O levantamento, que analisou profundamente os sinistros de trânsito com moto resultantes em internações, aponta uma forte associação entre a carência de fiscalização viária e a alta severidade dos sinistros envolvendo motos. A pesquisa, realizada pelo Instituto Cordial, em parceria com a Abramet, com o apoio da Uber, acompanhou a jornada de vítimas internadas no Hospital das Clínicas (HDC) da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo. Essa foi a primeira pesquisa sobre o tema a conseguir mapear um nível detalhado de informações de cada sinistro.
 

Os números do risco de moto em São Paulo

A análise territorial dos locais onde os acidentes aconteceram evidencia um cenário de infraestrutura desprotegida para os usuários mais vulneráveis. Os dados levantados junto aos pacientes do HDC mostram que:

  • Ausência de radares: 95% dos sinistros ocorreram em locais sem nenhuma fiscalização eletrônica.
  • Sinalização deficiente: Em quase 70% dos casos relatados, não havia sinalização de limite de velocidade na via.
  • Cruzamentos desprotegidos: Dos acidentes ocorridos em cruzamentos (28% da amostra do HDC), apenas 26% ocorreram em locais equipados com semáforo.
  • Dinâmica de corredor: Pelo menos 35% dos acidentes envolveram a dinâmica de circulação pelo corredor entre os veículos.
  • Falta de habilitação: Cerca de 21% das vítimas não possuíam a Carteira Nacionalde Habilitação válida.
  • Dias e horários com mais ocorrências: quinta-feira, das 5h às 8h da manhã.
 

 

 

 

 


 

Por ser um hospital estritamente referenciado – que não absorve demanda espontânea, recebendo pacientes encaminhados por serviços de resgate como o SAMU ou outras unidades –, o HDC concentra casos de alta complexidade. A análise de agrupamento dos dados hospitalares do HDC demonstrou que locais com a presença de fiscalização eletrônica estão associados a perfis de sinistros relativamente menos graves, mesmo dentro de um patamar geral de alta severidade característico da unidade.

 

 

 

“A segurança viária não pode depender exclusivamente do comportamento individual do motociclista ou de suas escolhas”, destaca Luis Fernando Villaça Meyer, diretor de operações do Instituto Cordial. “A infraestrutura e a gestão de vias precisam estar preparadas para absorver a inevitabilidade do erro humano, reduzindo sua gravidade e evitando a letalidade, tal como preconizado na abordagem dos Sistemas Seguros, defendida pela ONU, OMS e Ministério dos Transportes. A pesquisa mostra que muitos destes fatores ligados à via precisam melhorar, dos quais a sinalização e a fiscalização de velocidade se destacam”, argumenta.
 

Esses achados acendem um alerta sobre o impacto de políticas públicas recentes. O relatório apresenta que o relaxamento da fiscalização eletrônica, por exemplo, resulta em um grande número de mortos e feridos. Sem uma fiscalização ostensiva, inibir o excesso de velocidade perde eficácia, gerando um ambiente altamente hostil e fatal para motociclistas. Além disso, a flexibilização do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que ampliou o limite para suspensão da CNH para até 40 pontos, estendeu a permanência de condutores infratores nas vias antes de sofrerem sanções severas.

 

 

 

 

 

 

 

 

"A Uber entende que, por meio de pesquisas como essa, é possível enfrentar o problema da segurança viária como sociedade. Sabemos que o trânsito é um ecossistema que precisa de iniciativas tanto do poder público quanto da iniciativa privada. Por conta disso, seguimos investindo intensamente em melhorias baseadas em dados que estudos como esse podem trazer", afirma Rafael Thosi, Líder de Operações de Segurança da Uber no Brasil.
 

Sobre o Estudo

O projeto consistiu em uma investigação multidisciplinar de fontes primárias, com um total de 93 entrevistas de agosto de 2025 até março de 2026. O processo incluiu o apoio direto de profissionais da saúde do hospital, respeitando as leis de privacidade, além de reunir dados territoriais e secundários para contribuir com a análise de cada caso.

 

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