O aumento constante do número de veículos elétricos nas ruas vem trazendo mudanças gradativas para o trânsito das cidades e das rodovias. Algumas características próprias desse tipo de automóvel, como aceleração, frenagem e ausência de ruído, exigem atenção extra dos motoristas. Além disso, em situações de colisão, o cuidado deve ser ainda maior.
Segundo o professor especialista em tráfego Renato Gianolla, do setor de Engenharia Civil da UniFacens, o ponto mais sensível está na bateria de alta tensão. “Se a bateria sofrer um dano mais forte, ela pode realmente gerar o fenômeno da fuga térmica, que é quando algumas células começam a aquecer de forma descontrolada. Isso pode provocar fumaça, gases e, em casos extremos, até um incêndio”.
Diante de uma situação desse tipo, a orientação é não tentar resolver o problema por conta própria. Segundo Gianolla, não é recomendado utilizar o extintor do próprio veículo ou tocar em componentes danificados, como fios e cabos. Sem conhecimento técnico, não é possível determinar se o problema está restrito a outros componentes do automóvel ou se envolve diretamente a bateria de alta tensão. De acordo com o professor, incêndios relacionados às baterias podem ser prolongados e demandar grande quantidade de água e atuação de equipes treinadas.
Outro fator que exige atenção é a possibilidade de retomada do fogo. Mesmo quando as chamas estão aparentemente controladas, uma bateria que tenha sido danificada pode voltar a apresentar aquecimento. “Se a bateria realmente estiver envolvida em um incêndio, mesmo que o fogo cesse, pode haver a possibilidade da reignição”, explica Gianolla. A prioridade, segundo ele, deve ser deixar o local e acionar equipes especializadas. “O ideal é se afastar do veículo e chamar o 193, o Corpo de Bombeiros. Eles estarão preparados para lidar melhor com essa situação”, orienta o professor.
Outra diferença nos carros elétricos é o sistema de frenagem regenerativa, que reduz bastante a velocidade do automóvel quando o motorista retira o pé do acelerador, em comparação à mesma ação nos carros a combustão. Esse aspecto pode causar estranhamento inicialmente, mas, de acordo com o professor, é apenas uma questão de adaptação e não deve causar maiores problemas.
O silêncio característico desses veículos, entretanto, merece uma atenção especial. Diferentemente dos automóveis tradicionais, que produzem ruídos perceptíveis mesmo em baixas velocidades, os elétricos podem se aproximar sem serem facilmente identificados pelo som. Por isso, o motorista deve assumir uma postura mais preventiva, principalmente em áreas com maior circulação de pessoas. “Os veículos elétricos são muito silenciosos. É preciso redobrar a atenção com pedestres e ciclistas ao fazer qualquer tipo de manobra”, alerta Gianolla.
Apesar das diferenças, o professor ressalta que não há motivo para considerar os veículos elétricos mais perigosos do que os carros movidos a combustão. Para ele, a melhor forma de lidar com essas diferenças não é desenvolver receio em relação à tecnologia, mas buscar informação.
Assim como ocorre com qualquer veículo, conhecer o funcionamento e os procedimentos corretos para situações de emergência contribui para reduzir riscos e tornar a circulação mais segura. “O carro elétrico possui diversos sistemas de proteção. É importante não ter medo desse tipo de motor, mas conhecer suas características”, conclui.