Com a chegada do inverno e a aproximação das férias escolares de julho, concessionárias de rodovias de todo o país já começam a se preparar para um cenário conhecido: aumento expressivo no fluxo de veículos, formação de filas, neblina em trechos críticos e maior risco de acidentes nas estradas.
Enquanto muitos motoristas ainda dependem apenas da própria visão para reagir aos perigos do trajeto, sistemas de inteligência artificial já começaram a prever mudanças no comportamento do tráfego antes mesmo que os problemas se tornem visíveis nas rodovias.
Embora muita gente ainda associe tecnologia nas rodovias apenas à aplicação de multas, os novos sistemas inteligentes já exercem funções muito mais amplas. Com apoio da inteligência artificial, essas soluções conseguem identificar congestionamentos, veículos parados, excesso de fluxo e situações de risco em tempo real, não para fiscalizar motoristas, mas para antecipar problemas e aumentar a segurança nas estradas.
Desenvolvido pela COMPSIS, empresa de tecnologia de São José dos Campos (SP) especializada em mobilidade inteligente, o EagleVision (Visão de Água, em inglês) utiliza câmeras e inteligência artificial para interpretar o comportamento do tráfego em tempo real e transformar dados em decisões estratégicas para segurança viária e gestão operacional.
Na prática, o sistema funciona como uma espécie de “visão inteligente” da rodovia. Por meio da análise contínua das imagens captadas, a tecnologia consegue identificar alterações bruscas de fluxo, veículos parados em pontos críticos e até padrões que costumam anteceder situações de risco na via.
“A rodovia começa a emitir sinais antes que o problema efetivamente aconteça. A inteligência artificial consegue interpretar mudanças de comportamento do tráfego que muitas vezes passam despercebidas ao motorista”, explica o engenheiro Ailton Queiroga, presidente da COMPSIS e especialista em sistemas inteligentes para rodovias.
Segundo ele, o inverno e os períodos de férias representam alguns dos momentos mais desafiadores para a operação rodoviária, justamente pela combinação entre clima adverso e aumento de tráfego.
“Em situações de neblina ou baixa visibilidade, por exemplo, os veículos reduzem a velocidade de forma irregular. Quando isso se soma ao crescimento do fluxo típico das férias, aumentam os riscos de retenções, colisões e congestionamentos em cascata. A vantagem da IA é permitir que a concessionária identifique esses sinais antes do agravamento do cenário e possa agir preventivamente”, afirma.
Rodovias que “aprendem”
O EagleVision integra o Sistema de Análise de Tráfego (SAT) da COMPSIS e utiliza inteligência artificial para interpretar padrões de circulação nas estradas. Diferentemente de radares tradicionais, a tecnologia não possui função fiscalizatória. Seu foco está na leitura operacional do ambiente viário.
O sistema consegue analisar as condições da via, medir a velocidade média; analisar densidade de tráfego por faixa e horário; identificar formação de filas; classificar veículos; contar eixos; monitorar volumes; detectar incidentes; e gerar relatórios automáticos para gestão da operação. E tudo isso sem necessidade de instalar sensores no asfalto.
“A instalação é totalmente não intrusiva. Utilizamos câmeras e sensores posicionados em estruturas suspensas, sem interromper o trânsito ou realizar intervenções no pavimento”, detalha Queiroga.
Já em operação em rodovias concessionadas no Brasil, o sistema demonstra desempenho estável em condições adversas como chuva, neblina e variações extremas de luminosidade, sem depender de conectividade continua.
Prever problemas
Em meio ao avanço das concessões e à modernização das estradas brasileiras, cresce também a demanda por sistemas capazes de prever problemas, e não apenas reagir a eles. E a COMPSIS aposta justamente nesse conceito de rodovia inteligente baseada em análise preditiva.
“Hoje, não basta mais monitorar. O desafio é interpretar o contexto do tráfego em tempo real e antecipar comportamentos de risco. É isso que a inteligência artificial deve entregar ao setor”, ressalta Ailton.
Há 36 anos no mercado, a COMPSIS acumula experiência internacional em sistemas inteligentes para mobilidade rodoviária e Free Flow, incluindo projetos em países como Austrália, Índia e Nigéria. No Brasil, a empresa atua em diversas concessões estaduais e federais nas cinco regiões do País.