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Uma em cada 12 corridas de app já é feita por carro chinês
Por Administrador
Publicado em 07/05/2026 12:00
Mercado
Reprodução

O mercado de transporte por aplicativo no Brasil revela mudanças estruturais que refletem tendências globais da indústria automotiva e da eletrificação veicular. Segundo dados da Machine, plataforma para empresas de mobilidade e entregas, relativa a fevereiro de 2026, veículos chineses já participam de quase uma em cada 12 corridas. A BYD se destaca, responsável por 7,12% das viagens, superando marcas tradicionais como Ford (6,12%), Toyota (3,53%) e Nissan (1,15%).
Apesar do avanço das montadoras chinesas, a frota de aplicativos ainda permanece concentrada nas líderes tradicionais: Chevrolet (20,94%), Volkswagen (19,08%), Fiat (18,40%), Hyundai (11,66%) e Renault (9,53%), que juntas representam cerca de 80% das viagens. Ainda assim, o crescimento das marcas chinesas sinaliza que a lógica da escolha de veículos para motoristas de aplicativo está mudando. Eficiência operacional, redução de custos com combustível e manutenção e a durabilidade dos carros eletrificados passaram a ser fatores decisivos, muitas vezes mais relevantes do que o histórico das marcas.
Além da BYD, montadoras como GWM, CAOA Chery, JAC e Geely já aparecem no mercado, com participação ainda menor, mas em trajetória de crescimento consistente desde 2025. O movimento coincide com a expansão da infraestrutura de recarga nas grandes cidades, reduzindo barreiras logísticas e reforçando a atratividade de modelos híbridos e elétricos, que permitem maior margem de lucro para motoristas que dependem do rendimento diário das corridas.
A entrada de marcas chinesas em um segmento tradicionalmente dominado por empresas consolidadas reflete uma transformação mais ampla: a mobilidade urbana está se tornando um espaço competitivo no qual eficiência e custo-benefício passam a ditar as regras. “Para os motoristas, a escolha do veículo está diretamente ligada à rentabilidade, e a adoção de carros eletrificados representa não apenas uma tendência tecnológica, mas uma estratégia econômica concreta para manter o lucro diante da crescente pressão por custos operacionais menores”, afirma Júlia Camossa, Estatística responsável pela Machine.
A expectativa é que essa participação continue crescendo nos próximos anos, desafiando montadoras tradicionais a oferecer modelos mais econômicos, duráveis e tecnologicamente adaptados ao perfil de motoristas profissionais — o que tende a redefinir a paisagem da mobilidade urbana brasileira.

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