Nas grandes cidades brasileiras, o patinete elétrico deixou de ser novidade para virar parte da rotina. O modal, que há alguns anos era associado principalmente ao lazer, aparece cada vez mais nos horários de pico, nas conexões com metrô e ônibus e nos trajetos diários de quem vai ao trabalho ou à faculdade. É nesse contexto que a Whoosh, multinacional líder em micromobilidade urbana, atingiu a marca de 10 milhões de viagens realizadas no Brasil, um volume que traduz uma mudança concreta no comportamento de deslocamento urbano.
Um dos dados que melhor ilustra essa transformação é o aumento da recorrência de uso. Os usuários estão incorporando a patinete à rotina, com concentração de viagens nos horários de pico, padrão que aponta para deslocamentos práticos, ligados ao dia a dia. O trajeto médio registrado nas cidades onde a empresa opera é de 2 km, com alta concentração em regiões com escritórios, comércio e proximidade com estações de transporte público. O patinete cumpre, na prática, o papel de solução de última milha: resolve o trecho que o ônibus ou o metrô não alcança, reduz o tempo de deslocamento e substitui trajetos curtos que antes eram feitos de carro ou aplicativo de transporte.
Para Cadu Souza, diretor de operações da Whoosh, o marco reforça uma mudança no comportamento dos usuários e na forma como o serviço vem sendo incorporado à rotina urbana. "Chegar a 10 milhões de viagens é uma confirmação de que o comportamento mudou. O usuário que antes pegava o patinete no fim de semana para passear na orla agora usa de segunda a sexta para chegar ao trabalho ou conectar com o metrô. Esse é o movimento que mais nos interessa acompanhar", afirma.
O perfil de quem usa o serviço também conta parte dessa história. A faixa etária predominante está entre 25 e 45 anos, um público economicamente ativo, familiarizado com aplicativos e aberto a alternativas de mobilidade. Ao longo da operação no Brasil, a Whoosh observou uma ampliação gradual desse recorte, com crescimento de adesão tanto entre usuários mais jovens quanto em faixas etárias mais altas. O movimento mais expressivo é o aumento entre profissionais que passaram a usar o patinete como parte do deslocamento diário para o trabalho, um dado que reforça a consolidação do modal para além do uso recreativo e aponta para uma base de usuários cada vez mais diversa.
A plataforma da Whoosh conta hoje com mais de 1,8 milhão de pessoas cadastradas no Brasil, distribuídas entre São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis e Porto Alegre, cidades onde a empresa já identificou padrões consistentes de uso recorrente e crescimento da frequência de viagens por usuário ao longo do tempo.
Expansão
A marca de 10 milhões de viagens chega junto com uma expansão geográfica relevante. No último dia 22 de março, a empresa iniciou sua operação em Recife, ampliando a presença no país para cinco cidades. A escolha da capital pernambucana considerou fatores estratégicos como a alta densidade urbana, o clima favorável ao uso de veículos elétricos ao longo de todo o ano e a crescente demanda por alternativas de mobilidade mais ágeis e eficientes.
"Recife tem tudo que buscamos numa nova praça. É uma cidade densa, com trânsito intenso, clima que favorece o uso o ano todo e uma população jovem que já está habituada a resolver o dia a dia pelo celular. A chegada foi natural", diz Souza.
A chegada à cidade também reflete um modelo de expansão que passa pelo diálogo com o poder público. A abertura da prefeitura ao tema e o interesse em ampliar as opções de mobilidade sustentável foram fatores determinantes na decisão. Esse alinhamento com gestões municipais faz parte da abordagem da Whoosh nas cidades onde opera: a empresa desenvolve ações conjuntas de conscientização, segurança no uso e organização do espaço urbano, buscando integrar o patinete ao planejamento de mobilidade de cada cidade.
O impacto nas cidades vai além da conveniência individual. Ao longo das 10 milhões de viagens realizadas no Brasil, a Whoosh estima que o uso do patinete evitou a emissão de mais de 950 toneladas de CO2. A integração com o transporte público potencializa esse efeito: o patinete estende o alcance do sistema coletivo sem exigir infraestrutura adicional de grande porte, funcionando como uma camada complementar de mobilidade urbana.