A MRS Logística deu mais um passo na estratégia de descarbonização ao concluir experimentos operacionais com a maior locomotiva elétrica a baterias já construída no mundo: o modelo SD70J-BB, desenvolvida pela Progress Rail. A iniciativa, conduzida com investimento compartilhado entre as duas empresas, demonstrou que, com os devidos ajustes operacionais, é possível o uso desse tipo de locomotiva em trens de carga. Também foi comprovado que o consumo de energia e a capacidade de regeneração energética durante os trechos de descida estiveram alinhados com simulações realizadas anteriormente.
A iniciativa representa um avanço relevante na avaliação de tecnologias de tração de baixo carbono aplicáveis a operações ferroviárias de cargas no Brasil. Projetada e construída no país, a locomotiva foi avaliada na malha da MRS como parte das etapas finais antes de sua entrega a ferrovias australianas. As demonstrações permitiram à MRS coletar dados reais sobre o consumo energético, operação em longas rampas, regeneração e esforço de tração, informações que apoiam estudos internos sobre alternativas sustentáveis para o modelo operacional futuro.
“A realização dessa operação representa um avanço importante na nossa jornada de descarbonização. Além de apoiar o desenvolvimento de uma tecnologia inovadora, conseguimos validar, em condições reais de operação, premissas já estudadas pela companhia, como o mapeamento energético da nossa malha”, revela Luís Deltregia, Consultor de Manutenção Ferroviária da MRS Logística.
A parceria entre MRS e Progress Rail envolveu meses de planejamento conjunto, com definição de cronograma, escopo, seguros e aspectos regulatórios. Durante a fase de campo, equipes das duas empresas atuaram de forma integrada, acompanhando a operação e realizando ajustes técnicos ao longo do processo.
A locomotiva foi submetida a diferentes composições de trens, permitindo avaliar seu desempenho em condições reais de carga. Os resultados reforçam que locomotivas a bateria podem desempenhar papel relevante em operações ferroviárias de carga pesada, desde que acompanhadas de ajustes de modelo operacional e de infraestrutura de recarga.
“Os aprendizados obtidos neste projeto são fundamentais para orientar nossos próximos passos, tanto do ponto de vista técnico quanto econômico, na avaliação de soluções de menor emissão para o transporte ferroviário”, completa Deltregia.
A experiência agora servirá de base para a MRS aprimorar simulações de consumo e regeneração, analisar viabilidade econômica e cenários de aplicação futura., estudar posicionamento e requisitos de estações de recarga e análises sobre eventuais adaptações de infraestrutura para futuras aplicações da tecnologia com foco especial na descarbonização.
Essa iniciativa está diretamente conectada ao nosso compromisso público de reduzir em 15% a intensidade de emissões até 2035, fortalecendo a trajetória de ganhos reais de eficiência energética no transporte ferroviário de cargas.