O transporte intermediado por aplicativos foi o item com maior aumento no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025. Segundo dados consolidados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os preços subiram 56,08% em todo o país no último ano. Em São Paulo, a alta foi de 46,51%, acompanhando o movimento nacional que colocou o serviço como o que mais encareceu para o consumidor no período. Essa alta expressiva no valor das corridas por aplicativo em 2025 reacendeu o debate sobre os modelos de precificação adotados pelo setor. Em meio ao avanço da tarifa dinâmica nas principais plataformas, empresas como a inDrive, que operam em formatos alternativos de preços combinados entre passageiro e motorista parceiro, ganham ainda mais relevância.
Um dos principais fatores por trás dessa disparada é a chamada tarifa dinâmica no cálculo do índice, evidenciando como os preços das viagens passaram a variar de forma mais intensa e imprevisível, especialmente em horários de pico, grandes eventos, mudanças climáticas ou momentos de alta demanda. Criada há mais de uma década, ela surgiu com o objetivo de equilibrar oferta e demanda dentro dos aplicativos. “Quando há mais passageiros do que motoristas parceiros disponíveis, por exemplo, o preço sobe para reduzir a demanda e incentivar mais parceiros a aceitarem corridas naquela região”, explica Stefano Mazzaferro, General Manager da região Sul da América Latina na inDrive.
Mas, segundo o executivo, o modelo inicialmente era mais transparente: “O aumento pago pelo passageiro era quase proporcional ao ganho do motorista parceiro. Hoje, os algoritmos mudaram, se tornaram altamente baseados em IA e machine learning, e operam como uma caixa preta que define automaticamente valores e corridas”, explica. Isso porque nos últimos anos, empresas do setor passaram a utilizar o preço dinâmico também como ferramenta de otimização de receita, e não apenas de reequilíbrio do marketplace. O resultado tem sido um aumento de questionamentos tanto por parte dos usuários, que relatam pagar até duas ou três vezes mais pelo mesmo trajeto, enquanto motoristas parceiros nem sempre veem o repasse integral desse aumento.
A imprevisibilidade de preços, somada às variações no tempo de espera e cancelamentos, impactam diretamente a confiança do consumidor. “Quando o aplicativo vira a principal forma de deslocamento, o usuário espera consistência e previsibilidade. O que temos visto é um aumento de atrito na experiência”, destaca o executivo.
Modelo alternativo sem tarifa dinâmica
Nesse contexto de forte pressão no bolso do consumidor, a inDrive se consolida como um contraponto ao modelo dominante do setor. A plataforma não utiliza tarifa dinâmica nem definição unilateral algorítmica de preços ou corridas. No aplicativo, o usuário sugere o valor da viagem dentro de uma faixa recomendada e combina diretamente com o motorista parceiro antes de começar. Ele pode então aceitar, recusar ou apresentar uma contraproposta, e o passageiro escolhe com quem quer viajar com base em informações como avaliação, modelo do veículo e distância. “A tecnologia continua sendo essencial, inclusive para sugerir uma faixa de preço com base em oferta, demanda e geolocalização. Mas o acordo final é sempre construído entre as duas partes”, explica.
IA, gestão algorítmica e regulação
A discussão sobre precificação também se conecta a um debate mais amplo sobre o uso de inteligência artificial na gestão das plataformas. De acordo com Mazzaferro, a adoção de IA é irreversível, mas levanta questionamentos sobre o que especialistas chamam de “subordinação algorítmica”, quando algoritmos passam a exercer funções típicas de gestão, como definição de tarefas, remuneração e avaliação de desempenho. Diante do cenário de encarecimento acelerado do transporte intermediado por aplicativo, a polêmica sobre modelos de precificação, transparência e equilíbrio entre consumidor e motorista parceiro tende a ganhar ainda mais relevância em 2026.
Para a inDrive, o avanço da regulação precisa considerar a diversidade de modelos existentes no mercado e preservar a autonomia de todos. “O debate deve avançar com equilíbrio e responsabilidade. Defendemos regras claras, que reconheçam as diferenças entre os modelos de negócios da plataforma e preservem a autonomia dos nossos parceiros. É fundamental garantir liberdade de escolha, transparência e relações justas, em um ambiente sustentável tanto para quem gera renda, quanto para o mercado e os usuários, que dependem do nosso serviço no dia a dia”, conclui Mazzaferro.