Enquanto o setor de mobilidade e delivery cresce aceleradamente no Brasil, os trabalhadores que impulsionam essa expansão ainda enfrentam alto risco financeiro e baixa proteção social. Um levantamento inédito do GigU, em parceria com a Jangada Consultoria de Comunicação, revela que apenas 43,3% dos motoristas e entregadores contribuem regularmente para o INSS. Outros 38,1% nunca contribuíram e 12,3% interromperam os pagamentos. Além disso, 4,6% contribuem de forma ocasional, enquanto 1,7% afirmam não saber como participar do sistema previdenciário.
Os números também mostram que a percepção sobre o futuro é cautelosa. Apenas 20,7% enxergam o trabalho por aplicativos como carreira principal, enquanto 38% o consideram uma fonte complementar de renda. Um quinto dos entrevistados (20,9%) ainda não definiu seus próximos passos, e 10,2% pretendem reduzir ou abandonar a atividade.
O levantamento revela um setor em expansão, mas fragmentado, no qual a promessa de flexibilidade e autonomia convive com incertezas sobre estabilidade e aposentadoria. A dificuldade de contribuir regularmente para o INSS vai além de uma escolha individual: ela reflete instabilidade de renda, falta de acesso à orientação e ausência de políticas públicas adaptadas a esse modelo de trabalho.
“O futuro do trabalho em aplicativos depende não apenas do crescimento econômico, mas também de mecanismos de proteção social e previdenciária que equilibrem flexibilidade e segurança. Esse cenário desafia tanto as plataformas quanto os formuladores de políticas públicas a repensar a estrutura desse mercado”, afirma Luiz Gustavo Neves, CEO e co-fundador do GigU.