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Explosão da procura por carros elétricos no Brasil transforma o pós-vendas e impulsiona o setor de autopeças
Frota eletrificada mais que dobra em dois anos, eleva a complexidade tecnológica dos veículos e coloca o aftermarket no centro da nova dinâmica da indústria automotiva
Por Administrador
Publicado em 02/02/2026 12:03
Mercado
Reprodução

Impulsionado pelo crescimento acelerado dos veículos eletrificados no Brasil — que avançaram mais de 100% em apenas dois anos — o mercado automotivo vive uma transformação estrutural que coloca o aftermarket no centro da nova dinâmica do setor. À medida que a frota se torna mais conectada, eletrônica e dependente de software, o pós-vendas deixa de ser apenas suporte e passa a ser um fator estratégico de competitividade, estimulando também a expansão e a sofisticação da indústria de autopeças no país, que passa a operar em um cenário cada vez mais orientado por dados, tecnologia e processos altamente especializados.
De acordo com os dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), entre janeiro e dezembro de 2025, foram emplacados 223.912 veículos eletrificados no Brasil, volume 138,4% superior ao total registrado em todo o ano de 2023, quando foram vendidas 93.927 unidades. Um processo de digitalização automotiva que vem redesenhando o mercado global de mobilidade, com aumento de veículos conectados, presença de sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS), eletrificação e expansão de softwares embarcados, que ampliaram significativamente a complexidade tecnológica da frota em circulação e os desafios para o pós-vendas.
Essa transformação ocorre dentro de um setor que já possui grande relevância econômica. Em 2024, a indústria de autopeças no Brasil faturou R$ 256,7 bilhões, reforçando o peso do segmento na cadeia automotiva nacional. As projeções seguem positivas: de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), divulgado em outubro do ano passado, o faturamento do setor deve crescer 6,5% em 2025, alcançando R$ 275,8 bilhões, e avançar mais 3% em 2026, chegando a R$ 284,1 bilhões entre as empresas associadas.
Estudos de mercado indicam que a complexidade eletrônica dos veículos continua aumentando, ampliando a demanda por diagnósticos digitais, atualizações de software, calibração de sensores e manutenção especializada. Nesse novo cenário, o aftermarket deixa de ser predominantemente mecânico para assumir um perfil tecnológico, no qual a qualificação contínua de profissionais e a adequada estruturação das oficinas tornam-se estratégicas para a sustentabilidade do setor.
A tendência é que as oficinas lidem com um volume crescente de informações veiculares, exigindo investimentos em ferramentas de diagnóstico avançado, conectividade e gestão de dados. Paralelamente, ganha força a preocupação com segurança, rastreabilidade dos serviços e conformidade técnica, pontos diretamente relacionados à adoção de padrões de qualidade reconhecidos pela indústria automotiva.
É nesse contexto que o IQA – Instituto da Qualidade Automotiva atua, apoiando o desenvolvimento do aftermarket inteligente no Brasil. Ao promover padrões técnicos, certificações e iniciativas voltadas à profissionalização do setor, o Instituto contribui para preparar mecânicos e oficinas para as novas exigências da mobilidade digital, fortalecendo a confiança do consumidor e do mercado.
“O avanço da digitalização e da eletrificação dos veículos impõe um novo patamar de exigência técnica ao aftermarket. Qualidade, padronização e capacitação deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos essenciais para a competitividade e a segurança do setor”, Alexandre Xavier, Superintendente do IQA.
Nos próximos anos, o aftermarket deverá ser cada vez mais influenciado por tecnologias digitais, integração de sistemas e requisitos técnicos mais rigorosos. A convergência entre inovação, qualificação e qualidade redefine o perfil dos serviços automotivos e estabelece novas bases para competitividade e credibilidade no pós-vendas.
Com a rápida evolução da tecnologia veicular, o aftermarket inteligente deixa de ser uma tendência futura e se consolida como realidade, exigindo do setor um processo permanente e estruturado de adaptação aos avanços da indústria automotiva.

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