Parece ficção científica, mas já faz parte da realidade. Veículos movidos a hidrogênio conquistam espaço e avançam como alternativa de baixo carbono para o futuro da mobilidade. Na Shell Eco-marathon Brasil 2025, essa tecnologia assume o protagonismo com um marco inédito: três equipes brasileiras disputam a categoria de hidrogênio — duas na modalidade Protótipo e uma em Conceito Urbano. A tecnologia estreou na edição brasileira em 2023 e, desde então, tem ampliado sua presença na competição.
Com potencial para transformar o setor de transportes, os carros a hidrogênio utilizam uma célula de combustível que gera eletricidade por meio de uma reação química entre hidrogênio e oxigênio — processo que movimenta o veículo e emite apenas vapor d’água. Na prática, é essa tecnologia que impulsiona o modelo da GCEE (Grupo Cataratas de Eficiência Energética), da Unioeste de Foz do Iguaçu. Em 2024, a equipe passou nas inspeções técnicas e foi para pista, mas não chegou a completar o circuito.
De lá para cá, o trabalho foi intenso e acabou levando-os para Indianápolis (EUA), na Shell Eco-marathon Americas, em abril de 2025. Na edição americana, a GCEE se tornou a primeira equipe da América Latina a ser aprovada na rigorosa inspeção técnica da categoria e a segunda no mundo a concluir as quatro voltas do tradicional circuito de Indianápolis — um trajeto de 15,6 km — com um carro movido exclusivamente a hidrogênio.
Agora, de volta à edição brasileira, a equipe participa novamente da competição e busca consolidar sua trajetória na categoria de hidrogênio. O projeto, iniciado em 2023, envolveu uma longa fase de pesquisa, desenvolvimento e mais de dois anos dedicados à manufatura do veículo. A trajetória incluiu testes, ajustes e aprimoramentos constantes até que o carro estivesse pronto para competir em alto nível. “Estamos muito felizes, pela marca que fizemos e por ver nosso trabalho ganhando forma aqui na competição. É emocionante perceber que todo o esforço investido até agora já nos trouxe bons resultados,” comemora Giulia Demarchi, co-capitã da equipe.
Segundo Norman Koch, gerente global da Shell Eco-marathon o hidrogênio é uma tecnologia promissora, mas também a mais complexa dentro da competição. “O maior desafio está na vedação dos sistemas: por ser um gás extremamente leve, com moléculas minúsculas, ele escapa por qualquer espaço. Garantir a integridade de um circuito de hidrogênio é uma tarefa altamente desafiadora e representa a principal barreira para as equipes", comenta.
Novas equipes enfrentam o desafio da eficiência com hidrogênio
O interesse por essa tecnologia segue em crescimento, especialmente pelo seu potencial de viabilizar transportes com emissão zero. No contexto da competição, construir um carro a hidrogênio envolve um nível maior de complexidade técnica.
As equipes que optam por essa categoria precisam superar desafios específicos de projeto, montagem e desempenho para buscar o menor consumo possível e a máxima eficiência energética.
É com esse cenário em mente que duas novas equipes brasileiras estreiam na categoria em 2025. A EcoVeículo Hydrogen, da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), aposta em um modelo da modalidade Protótipo — que prioriza leveza, aerodinâmica e eficiência. A equipe, que participa da competição desde a primeira edição em outras categorias, agora amplia seus horizontes com a tecnologia a hidrogênio.
“Como é nossa estreia na categoria, nosso principal objetivo é adquirir conhecimento e experiência prática com a tecnologia de célula de combustível a hidrogênio, construindo uma base sólida para avanços futuros. Nosso foco é passar pela inspeção técnica e, se possível, completar as 10 voltas exigidas, demonstrando nosso progresso e dedicação”, diz Muriel Cordeiro Pszepiura, capitã da equipe UNIFEI.
Também estreando na categoria, a Eco Octano UFPR Hidrogênio, da Universidade Federal do Paraná, entra na disputa com um projeto desenvolvido do zero por estudantes que decidiram encarar o desafio coletivo de construir um carro a hidrogênio. “A equipe tem um compromisso com a sustentabilidade e a eficiência energética. Por isso, temos o desejo de competir na Shell Eco-marathon para mostrar que conseguimos fazer muito sem muito recurso ou mão de obra qualificada. Somos um grupo de estudantes com grande vontade de construir um carro e competir”, afirma João Faustino, capitão da equipe da UFPR.